segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Pedaços dizimados da minha carne se contentam com a espera tua.
Os risos, os gestos, os toques, os arrepios e a saliva se projetam de mim em ti e imagéticos se tornam todos os segundos em que me habitas a mente. Também me habitas a pele em total desatino.
Sinto tua falta, não como quem se desespera, ou como quem amputa. Sinto tua falta como quem se delicia em saudade.
Carrega-me contigo, pássaro-poesia. Alcança-me breve com o buliçoso do teu vôo.
Chega mais perto de mim!

enquanto sinto...

"Porque há desejo em mim, é tudo cintilância.
Antes, o cotidiano era um pensar alturas
Buscando aquele outro decantado
Surdo à minha humana lagradura
Visgo e suor, pois nunca se faziam
Hoje, de carne e osso, laborioso, lascivo
Tomas-me o corpo. E que descanso me dás!
Depois das lidas. Sonhei penhascos
Quando havia um jardim aqui ao lado.
Pensei subidas onde não havia rastros.
Extasiada, fodo contigo
Ao invés de ganir diante do Nada."

Hilda Hilst, Do desejo

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Dentro das horas latentes de profunda inundação de mim em mim, as imagens dos teus gestos me sossegam de mim. Me afugentam de mim.

Meu amor é teu.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Copacabana

Lá fora, abaixo dos meus pés, o barulho dos carros, a agonia das horas e o torpor das ondas do mar sucumbem ao caos as minhas saudades mais pérfidas.
Meus dedos vergados sobre letras tentam amenizar o desespero ácido que palpita em meu peito e que responde pelo nome de ausência.

"ausência 
s. f.
1. Estado ou circunstância de não estar presente.

2. Tempo que dura a ausência.

3. Falta de comparência.

4. Carência. "


O meu suor congelado busca altivez nas extremidades táteis. A melancolia já estancou a espera.

sábado, 30 de julho de 2011

Alessandra Leão - Dois Cordões


Talvez o melhor disco de música regional que já ouvi nos últimos tempos. Excelentemente bem produzido, com uma mistura de elementos harmônicos à percussão típica de rítmos populares.
Suavidade e peso dos tambores em total sincronia e justaposição, além do sotaque pernambucando lindo que a voz de Alessandra Leão traz.

É incrível!

http://www.4shared.com/file/4xspFNyY/02__Alessandra_Leo_-_Dois_cord.htm

domingo, 24 de julho de 2011

segunda-feira, 18 de julho de 2011

ao bem

Toda espera, todo vagar de segundo nesse tempo inteiro fez inflar o amor posto em mim pelos olhos dela. Olhos vistos ligeiramente e que se faziam imagéticos e profundos.
A lembrança daquela moça bela tão imersa na leitura de um puto escritor qualquer, me roubava os sentidos e me compelia à distração num ponto absorto.
A distância era como um amontoado de torturas físicas e mentais - o corpo pedia o corpo dela e a alma o amor contido nela.
E o destino, o acaso, os contra-tempos, brincavam com minhas ansiedades, embora a trazendo pra cada vez mais perto, mais perto, mais perto... Tão perto que já sinto o toque das mãos e o movimento cálido da língua!
Ahhh!
Bom é amá-la de perto. Amá-la de longe me enchia o peito, mas de mãos vazias. Isso era como ver de longe pássaros que não pousavam perto.

E toda a palidez de minhas horas deram vazão à um frenético luzir de fogos de artificio coloridos irradiando alegria em mim.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Aos amantes do choro, 70 anos de Pixinguinha


O que teria eu a dizer sobre o disco, sendo que originalmente quem faz a apresentação na capa é Jacob do Bandolim?
É, enfim, uma obra-prima e uma pequena mostra em 12 faixas do que é a genialidade de Pixinguinha.

E como finalizara Jacob na apresentação: Viva Pixinga!

http://www.4shared.com/file/rKq3RyDe/Pinxinguinha_70_anos.htm


domingo, 10 de julho de 2011

transubstanciar-se

Esmaguei sob julgo todo pavio do meu cigarro. Ali, o resumo de minhas alterações começaram a se esvair em sincronia às cinzas já debruçadas e mortas. A vida me voltava.
Fora de mim nada mais existia, além de um amontoado de textos rabiscados num papel com pensamentos postos e desejos transubstanciados.
A partir de então, todo resto, em mim, se imantava a todo suplemento que supracita a felicidade de estar aqui, de estar com meu amor, de estar com as mãos sobre intermináveis possibilidade de sons e, sobretudo, sonhos dentro destes sons.

Pisando devagar na casca desse chão.

sábado, 9 de julho de 2011

feeling good


o beijo dela e esse som.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

frio.

frio. eis a acentuação de mim.
não o frio que me arrepia, ou que traveste minhas expectativas.
o frio da ausência é o que me mata.
lá fora o dia se acinzenta e goteja, tal qual meus pensamentos na lembrança dela. tal qual a distância dela na agonia minha.
agonia dela.
o frio também me veste de impotência. ou seria a impotência a me vestir de frio?
o frio se extende e parte de lá, chega aqui e me sufoca, me aperta a goela, me dilacera.
o frio vem dela.
o frio que vem sob efeito da movimentação do ar se extingue com a delicadeza do cobertor de bolinhas.
o frio dela me desespera.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Prumo

Eu descia as escadarias do beco Catarina Mina enquanto observava longe um dos blocos de paralelepípedo - como tantos outros sucumbidos ao descaso ludovicense - solto e separado de todo contexto de pedras. Naquele momento me atentei de que também eu era uma parte desgarrada da cidade, ou a cidade desgarrada de mim.
Era eu que fugia e seguia o prumo da proa em prol de novo cenário. O meu cenário, se desgarrava também de mim.

Lembrei das toadas de Coxinho, do tambor de Filipe, das rodadas da saia de Dona Roxa, da voz envelhecida de Teté, da cerveja gelada e barata de Dona Lulu, do pôr-do-sol no alto do coreto, da barquinha velha cheia de cofo indo pra Alcântara, das festas no casarão do Laborarte, do gingado do boizinho sobre o seu fiel miolo, da cortina de fumaça dos amigos, do cheiro do couro esquentando na fogueira, da clareira melancólica da João Lisboa, do maracatu rasgando o silêncio e descendo elétrico a Rua do Giz, da zabumbada de Leonardo em tempos de São João, do sobe e desce na capela de São Pedro todo dia 29 de junho, da cachaça da feira da Praia Grande, de Zumbi, de Cazumbá, de São Luís, do meu encantado Maranhão!

Maranhão sou eu. Maranhão sou eu.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Ai de mim...

"Vamos chamar o vento. Vento que dá na vela. Vela que leva o barco. Barco que leva a gente..." - assim cantava ao longe a Mônica Salmaso em reverência ao eterno Dori Caymmi. Assim fugia de mim os pensamentos, que se dissipavam num passeio sobre as ondas sonoras.

Nem sei em que momento decidi viver da imaterialidade dos meu sonhos e me nutrir de elementos tão distantes que me saciavam a fome da alma. Nem sei como isso passou a ter forma, cheiro, cor, gosto e saudade. Tampouco sei até onde meço a força que me sustenta diante de imensidão de surpresas que isso me prepara. Mas sei que a amo - e como a amo!
E quem vai mudar isso? Quais regras? Que suspensão de comportamento? Que moral? Que discurso? Que certeza vã?

O que eu sinto parece muito, medido em contra-reflexo do céu que me acoberta, e imensamente pequeno diante da impotência de não poder tê-la comigo.
Isso de nada vale! De que vale o meu amor?
Eu que aprenda a mágica da cartola e ali faça desaparecer toda a cor dos meus dias.

E sim, é isso mesmo que EU quero?
O que eu quero, afinal?
Ser o mágico que sucumbe ao fim um carinho inocente? Ou ser o amor que insiste em perdurar?

Ai de mim...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Keith Moon, o esquizofrênico


Eternamente insubstituível, e o The Who sabe disso: nem Kenney Jones, nem Simon Phillips, nem Zak Starkey... como Keith Moon nenhum outro!


Moon, the Loon!


Inovador e gigante no que fazia! O maior e melhor esquizofrênico da história!
O melhor de todas as eras do rock!