Esmaguei sob julgo todo pavio do meu cigarro. Ali, o resumo de minhas alterações começaram a se esvair em sincronia às cinzas já debruçadas e mortas. A vida me voltava.
Fora de mim nada mais existia, além de um amontoado de textos rabiscados num papel com pensamentos postos e desejos transubstanciados.
A partir de então, todo resto, em mim, se imantava a todo suplemento que supracita a felicidade de estar aqui, de estar com meu amor, de estar com as mãos sobre intermináveis possibilidade de sons e, sobretudo, sonhos dentro destes sons.
Pisando devagar na casca desse chão.
imagens abstrações contemplações sonho saudade desejo lapsos colapsos mente demens desejo exortação linguagem ebriedade medo miséria música instinto multi-universia feminino temperatura contradição
domingo, 10 de julho de 2011
sábado, 9 de julho de 2011
segunda-feira, 4 de julho de 2011
frio.
frio. eis a acentuação de mim.
não o frio que me arrepia, ou que traveste minhas expectativas.
o frio da ausência é o que me mata.
lá fora o dia se acinzenta e goteja, tal qual meus pensamentos na lembrança dela. tal qual a distância dela na agonia minha.
agonia dela.
o frio também me veste de impotência. ou seria a impotência a me vestir de frio?
o frio se extende e parte de lá, chega aqui e me sufoca, me aperta a goela, me dilacera.
o frio vem dela.
o frio que vem sob efeito da movimentação do ar se extingue com a delicadeza do cobertor de bolinhas.
o frio dela me desespera.
não o frio que me arrepia, ou que traveste minhas expectativas.
o frio da ausência é o que me mata.
lá fora o dia se acinzenta e goteja, tal qual meus pensamentos na lembrança dela. tal qual a distância dela na agonia minha.
agonia dela.
o frio também me veste de impotência. ou seria a impotência a me vestir de frio?
o frio se extende e parte de lá, chega aqui e me sufoca, me aperta a goela, me dilacera.
o frio vem dela.
o frio que vem sob efeito da movimentação do ar se extingue com a delicadeza do cobertor de bolinhas.
o frio dela me desespera.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Prumo
Eu descia as escadarias do beco Catarina Mina enquanto observava longe um dos blocos de paralelepípedo - como tantos outros sucumbidos ao descaso ludovicense - solto e separado de todo contexto de pedras. Naquele momento me atentei de que também eu era uma parte desgarrada da cidade, ou a cidade desgarrada de mim.
Era eu que fugia e seguia o prumo da proa em prol de novo cenário. O meu cenário, se desgarrava também de mim.
Lembrei das toadas de Coxinho, do tambor de Filipe, das rodadas da saia de Dona Roxa, da voz envelhecida de Teté, da cerveja gelada e barata de Dona Lulu, do pôr-do-sol no alto do coreto, da barquinha velha cheia de cofo indo pra Alcântara, das festas no casarão do Laborarte, do gingado do boizinho sobre o seu fiel miolo, da cortina de fumaça dos amigos, do cheiro do couro esquentando na fogueira, da clareira melancólica da João Lisboa, do maracatu rasgando o silêncio e descendo elétrico a Rua do Giz, da zabumbada de Leonardo em tempos de São João, do sobe e desce na capela de São Pedro todo dia 29 de junho, da cachaça da feira da Praia Grande, de Zumbi, de Cazumbá, de São Luís, do meu encantado Maranhão!
Maranhão sou eu. Maranhão sou eu.
Era eu que fugia e seguia o prumo da proa em prol de novo cenário. O meu cenário, se desgarrava também de mim.
Lembrei das toadas de Coxinho, do tambor de Filipe, das rodadas da saia de Dona Roxa, da voz envelhecida de Teté, da cerveja gelada e barata de Dona Lulu, do pôr-do-sol no alto do coreto, da barquinha velha cheia de cofo indo pra Alcântara, das festas no casarão do Laborarte, do gingado do boizinho sobre o seu fiel miolo, da cortina de fumaça dos amigos, do cheiro do couro esquentando na fogueira, da clareira melancólica da João Lisboa, do maracatu rasgando o silêncio e descendo elétrico a Rua do Giz, da zabumbada de Leonardo em tempos de São João, do sobe e desce na capela de São Pedro todo dia 29 de junho, da cachaça da feira da Praia Grande, de Zumbi, de Cazumbá, de São Luís, do meu encantado Maranhão!
Maranhão sou eu. Maranhão sou eu.
terça-feira, 14 de junho de 2011
Ai de mim...
"Vamos chamar o vento. Vento que dá na vela. Vela que leva o barco. Barco que leva a gente..." - assim cantava ao longe a Mônica Salmaso em reverência ao eterno Dori Caymmi. Assim fugia de mim os pensamentos, que se dissipavam num passeio sobre as ondas sonoras.
Nem sei em que momento decidi viver da imaterialidade dos meu sonhos e me nutrir de elementos tão distantes que me saciavam a fome da alma. Nem sei como isso passou a ter forma, cheiro, cor, gosto e saudade. Tampouco sei até onde meço a força que me sustenta diante de imensidão de surpresas que isso me prepara. Mas sei que a amo - e como a amo!
E quem vai mudar isso? Quais regras? Que suspensão de comportamento? Que moral? Que discurso? Que certeza vã?
O que eu sinto parece muito, medido em contra-reflexo do céu que me acoberta, e imensamente pequeno diante da impotência de não poder tê-la comigo.
Isso de nada vale! De que vale o meu amor?
Eu que aprenda a mágica da cartola e ali faça desaparecer toda a cor dos meus dias.
E sim, é isso mesmo que EU quero?
O que eu quero, afinal?
Ser o mágico que sucumbe ao fim um carinho inocente? Ou ser o amor que insiste em perdurar?
Ai de mim...
Nem sei em que momento decidi viver da imaterialidade dos meu sonhos e me nutrir de elementos tão distantes que me saciavam a fome da alma. Nem sei como isso passou a ter forma, cheiro, cor, gosto e saudade. Tampouco sei até onde meço a força que me sustenta diante de imensidão de surpresas que isso me prepara. Mas sei que a amo - e como a amo!
E quem vai mudar isso? Quais regras? Que suspensão de comportamento? Que moral? Que discurso? Que certeza vã?
O que eu sinto parece muito, medido em contra-reflexo do céu que me acoberta, e imensamente pequeno diante da impotência de não poder tê-la comigo.
Isso de nada vale! De que vale o meu amor?
Eu que aprenda a mágica da cartola e ali faça desaparecer toda a cor dos meus dias.
E sim, é isso mesmo que EU quero?
O que eu quero, afinal?
Ser o mágico que sucumbe ao fim um carinho inocente? Ou ser o amor que insiste em perdurar?
Ai de mim...
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Keith Moon, o esquizofrênico
Eternamente insubstituível, e o The Who sabe disso: nem Kenney Jones, nem Simon Phillips, nem Zak Starkey... como Keith Moon nenhum outro!
Moon, the Loon!
Inovador e gigante no que fazia! O maior e melhor esquizofrênico da história!
O melhor de todas as eras do rock!
sábado, 28 de maio de 2011
é o que vejo
do alto, um debruço sobre a janela
me delicio
mangue, água salgada e doce
da morena
anda, suspira, canta uma toada
flor
no cabelo
o universo é agora a flor e um balde d'água
desta vez do mar
que afoga a serpente
é São Luís
o ataque do meu atabaque
me delicio
mangue, água salgada e doce
da morena
anda, suspira, canta uma toada
flor
no cabelo
o universo é agora a flor e um balde d'água
desta vez do mar
que afoga a serpente
é São Luís
o ataque do meu atabaque
segunda-feira, 23 de maio de 2011
e do instante anterior jaz o silêncio que corta meu vazio. e tudo o mais parece se inflar ao mérito de todas as sensações que tu me provocas: são os pássaros que já cantam, a noite que chega, as letras nos meus livros de poesia que se embaraçam, o pensamento que se volta pra ti.
[minha janela ta aberta pra que tu entres. tudo parece teu.]
[minha janela ta aberta pra que tu entres. tudo parece teu.]
domingo, 8 de maio de 2011
The Poets Of Rhythm - Practice What You Preach (1992)
É uma pedrada! É no osso e decunforça!
Achei esse grupo de alemães por acaso. Os caras fazem um Hard-Funk bem pesado e tém como principais influências os grupos The Meters e Funkadelic (quer referência melhor que essa, cumpade?).
Funk e groove são as marcas desse disco!
http://www.megaupload.com/?d=UPC1FRGS
terça-feira, 26 de abril de 2011
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Lilás
Acordei pálida de um sonho pálido. Não! Admito! Acordei pálida de um sonho lilás. Ali, na confluência entre o azul e o vermelho.
Nem azul, nem vermelho: lilás.
Lilás como as flores do jardim a que o sonho pérfido me elevara.
Que disparate! Logo eu, sucumbida aos desatinos de um sonho... Estacionada nos delírios de um jardim? Flores? Ah, isso não!
Cores, cheiro, sabores... DISSABORES!
Tudo isso jaz no cárcere imaterial do tempo em que eu amei.
Ainda amo. Não admito.
Nem azul, nem vermelho: lilás.
Lilás como as flores do jardim a que o sonho pérfido me elevara.
Que disparate! Logo eu, sucumbida aos desatinos de um sonho... Estacionada nos delírios de um jardim? Flores? Ah, isso não!
Cores, cheiro, sabores... DISSABORES!
Tudo isso jaz no cárcere imaterial do tempo em que eu amei.
Ainda amo. Não admito.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Big Walter Horton - The Soul Of Blues Harmonica (1964)
Bluezão encorpado, violento, visceral, sob comando do gigante Walter Horton!
Esse disco é duca!
http://www.multiupload.com/0OXCFZG6QN
segunda-feira, 14 de março de 2011
Na pedreira
Quando eu pisei nessa terra:
Toque de pé, toque de couro
Mão no tambor
Compasso de martelo, baque de xangô
A força quando diz
Não se há de retrucar
Não se há de redimir
Há de se enfrentar
Rumba, Zumbi, Zabumba
Eu subi na pedra de lá
Daqui ninguem ouviu
Se tremer vai cair, se cair vai levantar
Batucada, barruada, baluada
Lua nessa ode
Vento da ventania que vem de dentro
Se vem de fora se aquieta, ou se debruça, ou se sacode
Toque de pé, toque de couro
Mão no tambor
Compasso de martelo, baque de xangô
A força quando diz
Não se há de retrucar
Não se há de redimir
Há de se enfrentar
Rumba, Zumbi, Zabumba
Eu subi na pedra de lá
Daqui ninguem ouviu
Se tremer vai cair, se cair vai levantar
Batucada, barruada, baluada
Lua nessa ode
Vento da ventania que vem de dentro
Se vem de fora se aquieta, ou se debruça, ou se sacode
sexta-feira, 11 de março de 2011
Divagar, devagar...
Se eu soubesse morrer, eu até morria
Se não pudesse cair, até subia
Uma vez escorreguei enquanto descia
Eu era água na ladeira que escorria
Justaposição entre o que pensei e o que dizia
E tudo começou com a música que ouvia
Agora minha mão escrevia
Não tem som, nem poesia
Cadê o sol que eu via?
Aquela luz falsa do dia?
O medo inflado, impiedoso, afligia
Puta que pariu! Era a puta que paria!
Ué! Mas ela nem gemia!
Parece até que nem doía!
A culpa não é daquela que a maçã comia?
Culpada mesmo é a serpente que a convencia
E quem diria...
Certa manhã eu mulher seria
De outra mulher nascia
Tal qual espasmo de pluma em ventania
Aquele pedaço de mundo que engolia
Sem misericórdia salivaria
Eu sou um fato consumado e agora consumia
Já amei Madalenas, hoje sou Maria
(Talita Cavalcante)
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